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Qual a sua reação em ver um menino que todos dizem
ser muito agitado, que não dá um minuto de sossego
para quem está ao seu redor, briga com todos
coleguinhas, enfim aquele “santinho”, ficar uma hora
concentrado?
Sabe quem consegue está proeza?
A aula de música é a resposta, e tem mais: ele ainda
reclama quando acaba!
Cenas como estas são comuns nas aulas de
musicalização, onde crianças descobrem um novo mundo.
Para muitos pais a musicalização infantil pode
parecer apenas entretenimento. Mas, na verdade, ela é
uma sólida ferramenta para a formação de um ser
humano mais sensível, com maior raciocínio, auto-estima e segurança para enfrentar os obstáculos da
vida.
Em outros tempos, ter aulas de música
era quase sinônimo de trauma para a criança. A
maneira rígida de ensinar prevalecia. Os primeiros
passos no piano, um dos instrumentos preferidos
pelos pais, poderiam ser desastrosos, se o professor
fosse muito exigente. Um grande erro daquela época.
que ainda hoje é cometido. é querer que a criança
domine o código musical, reconheça as notas e as
escreva, para depois começar a ter contato com os
sons. Nós, primeiro aprendemos a falar e só depois
aprendemos a escrever. Com a música é a mesma coisa.
Primeiro, precisamos escutá-la e só depois é que
passamos para a escrita.
Limites
A criança não precisa ficar presa em uma carteira
aprendendo teoria, mas isso não significa que o
ensino de música deva se transformar numa
simples recreação. Para efeito de aprendizado, o tempo é
ainda mais precioso quando se tem cinco anos. Por
isso, não devemos limitar a iniciação musical à
improvisação, ao oba-oba. A criança não precisa
disso, ela naturalmente já se sente à vontade para
explorar novos sons. O professor deve ter em mente
as decisões mais adequadas e encontrar o equilíbrio
no aprendizado, sempre visualizando o potencial de
cada aluno. Cada criança é um caso particular.
Mesmo respeitando a individualidade, o professor não
pode esquecer da importância das aulas em grupo e da
experiência de tocar em conjunto. Em grupo, a
criança reconhece limites e descobre o instrumento
que melhor se adapta a ela.
A idade ideal para o início da musicalização também
é variável, mas o indicado é que as aulas sejam
ministradas o mais cedo possível. A musicalização
pode começar antes do primeiro ano. Nessa idade, a
criança pode ter audições e ser estimulada por
acompanhamentos rítmicos e cânticos, além de se
trabalhar habilidade
motora.
Professores
A motivação dos alunos precisa ser constante. O
professor tem que ter muito dinamismo e
sensibilidade para lidar com as crianças e
contagiá-las. Por isso, o músico que quer se dedicar
ao ensino precisa avaliar se está preparado para a
função. Antes de colocar uma porta na porta de casa
e começar a receber os primeiros alunos.
O compromisso do professor é formar ouvidos
sensíveis e indivíduos mais responsáveis que,
através da música, conduzam melhor sua vida própria.
Ter um bom mestre, alguém em quem nos espelhamos, é
como encontrar o instrumento ideal, aquele que será
nosso companheiro no universo da música. Ambos, o
bom ensinamento e o instrumento escolhido, são para
durar a vida inteira. O ato de formar indivíduos é
sagrado.
A criança logo percebe quando há incoerência entre
o que o professor fala e o que faz. O bom mestre
tem uma postura que cativa, pois ele respira a arte
de ensinar e tem muito forte consigo a consciência
da importância de seu papel.
Os instrumentos de percussão - tambores, xilofone,
metalofone - são os mais utilizados, mas uma corneta
pode ser muito atrativa para as crianças.
Aconselhamos os pais que só comprem um instrumento
para os filhos após a criança ter explorado várias
possibilidades e ter se decidido por um deles.
A pessoa que passa por uma iniciação musical é
mais concentrada e tem raciocínio mais rápido. O
processo também auxilia no equilíbrio emocional. O
convívio com ritmo e sons favorece ainda o
aprendizado de línguas estrangeiras, que exigem
rápida “adaptação do ouvido” a impactos sonoros
diferentes.
A música cria uma auto-estima na criança, ela
fica feliz. É uma experiência fascinante observar o
rosto de um aluno quando ele consegue tirar seu
próprio som. |